Críticas


Sobre o romance Imóveis Paredes:

1) Ana Luiza Azevedo - cineasta - facebook – 30/03/15 - É um belo romance.

2) Clô Barcellos – editora – 02/04/15 - Um misto de romance, denúncia, desabafo. E um amor residual inerente que não nos abandona apesar de tudo. Belo.

3) Rafael Guimaraens - jornalista e escritor - facebook – 02/04/15 - Sabe um livro bom, mas bom, bom mesmo? É o livro do Miguel. O único problema é que a gente termina de ler e continua aquela vontade de continuar lendo. - facebook - 13/08/17 - (...) O livro é ótimo, contemporâneo, com um grande personagem e muito bem escrito.

4) Jaime Cimenti - articulista do Jornal do Comércio – 17/04/15 - Estréia madura, texto seguro, fluente.

5) Fernando Ramos (Festipoa Literária) – Festa da Leitura – 18/04/15 - O livro é muito bom, recomendo a todos a leitura. Qualidade surpreendente para um romance de estréia. (...) Imóveis Paredes é um livro bastante necessário no momento atual de crises agudas em nossa cidade, Porto Alegre, e no país.

6) Flávio Azevedo – professor de Literatura - facebook – 20/04/15 - Miguel é um grande construtor de personagens e de cenários. O Teté é um baita cara, a Dasdô também, até a Bebel, que aparece pouco, ficou densa. Os conflitos são bons e verdadeiros, e a solução para o roteiro surpreende positivamente. Ótima leitura.

7) Sérgio Lulkin – ator e professor universitário - 18/07/15 - (...) Li em três lufadas e um suspiro. (...). Escuto duas vozes: a reflexão e a indignação. Vibro com a clareza e com a precisão dos impropérios no momento auge de desgosto, de raiva, de impotência do Eleutério - também não quero revelar em demasia - e compartilhamos entre várias pessoas aquele sentimento. E a voz densa, reflexiva do homem maduro e desorganizado em seus sentimentos pessoais - afetos, amores, familiares - me parece quase um outro livro. A filha, que também demanda mais informação ao final, posto que vem como um eixo ao longo das questões do Teté - parece que se resolve de súbito através do afeto recuperado com Graça - algo como um "amor de pai" que se acalma com o amor de "parceiro" - num gesto de parceria que serve às duas figuras. Será que viajei na psicanálise? Muito boa leitura, ágil. Especialmente para dias chuvosos, não é solar, tem tristezas e dores finas. E uma esperança nublada, amores a beira-mar, por diversas ruas e lugares imediatamente reconhecíveis, seja aqui, seja acolá, por Santa Catarina. (...)

8) Carlos Garcia - editor do site Culturíssima (http://culturissima.com.br/colunistas/um-livro-sobre-especulacao-imobiliaria/ ) – 23/01/2016 - artigo "Um livro sobre especulação imobiliária"
   É um livro sobre especulação imobiliária. Isso foi tudo que o vendedor me explicou sobre o romance Imóveis Paredes (Libretos, 2015), de Miguel da Costa Franco. E não poderia haver descrição melhor. A narrativa é, acima de tudo, sobre a especulação imobiliária em Porto Alegre. O autor propõe uma reflexão acerca do poder que as grandes construtoras exercem sobre as pessoas, a paisagem e o cotidiano da cidade.
   O título é uma referência clara ao tema, mas tem duplo significado. Além de um não à demolição, também trata-se do nome da imobiliária de Eleutério Paredes, o personagem principal da história. O corretor-protagonista passa a trama inteira sofrendo pressão de uma grande construtora para vender seu imóvel. A empresa quer executar o projeto de construção de um condomínio residencial, ocupando um quarteirão inteiro no coração do bairro Rio Branco. Eleutério, porém, é o proprietário mais resistente às negociações. A situação chega ao ponto de sua casa ser a única de pé na área de interesse da construtora. Mais do que isso, começa a sofrer fortes represálias em razão da sua resistência.
   O mais interessante é que, durante a história, o narrador compartilha com o leitor os sentimentos de Eleutério sobre a questão da venda do imóvel. É demonstrado o quanto qualquer pessoa razoável é frágil diante do sistema. Embora a narrativa arme uma armadilha que sugere o protagonista como herói, as próprias reflexões do personagem vão desmentir essa hipótese.
   Eleutério é apaixonado e apegado pelo casarão que herdou de seu pai. Por ele, jamais deixaria de morar ali. Mas nem as pessoas mais próximas o ajudam a resistir a pressão. Ao contrário. Sua funcionária da imobiliária, ele descobre que é, na verdade, sua irmã. O pai havia dado uma pulada de cerca, mas ninguém jamais tocou no assunto. Até que ela joga a questão na mesa e aproveita para pedir parte dos bens de Eleutério, no caso, um dos apartamentos que a construtora daria em troca do casarão. Sua filha, por sua vez, não está nem aí para o que Eleutério faz, mas da mostras de que considera uma idiotice não vender o imóvel.
   Por causa da opinião e pressão dessas duas mulheres, Eleutério passa a pensar com mais força na venda da casa. Sem contar que a proposta da construtora é, realmente, irrecusável do ponto de vista financeiro. Ele sabe disso. É do ramo e conhece bem os valores do mercado imobiliário. Em sua tentativa de decidir o que fazer, ele pensa mais na família do que nele mesmo e por isso é fisgado. É quase impossível, seja cedo ou tarde, não aderir ao que o modelo político-econômico vigente propõe. Eleutério vai longe em sua resistência, mas, independente de aceitar ou não a proposta, seu dilema interior do vende, não vende confessa que sua convicção foi posta à prova.
   Quanto ao estilo, o autor apresenta um texto simples e rápido. Mesmo algum floreio que possa aparecer, não na linguagem mas na história, não chega a constituir um obstáculo no texto.
   Imóveis Paredes é um livro que o valor ideológico ultrapassa o valor literário. A reflexão que o autor propõe é importantíssima para Porto Alegre. É um alerta. Há anos a cidade vê suas edificações históricas sendo demolidas para dar espaço a condomínios gigantescos. Além de apagar a memória, os novos empreendimentos impulsionam cada vez mais o isolamento das pessoas em relação a cidade. Até onde queremos chegar em termos urbanos?
   Essa é uma questão que, certo, já é pensada pelos interessados, como a administração pública, as construtoras, os profissionais de arquitetura, urbanismo e engenharia, etc. É importante, todavia, que a participação se torne mais ampla. E talvez o livro de Miguel da Costa Franco seja o ponto de partida para que o público envolvido direta e indiretamente, isto é, o cidadão em geral, se interesse ainda mais pelo assunto. Assim pode ser que esse tema tão importante ganhe mais notoriedade, enriquecendo o debate e melhorando a cidade.

9) Antônio David Cattani – escritor - 05/04/16 - (...) Embora nunca tenha feito crítica literária gostaria de registrar alguns pontos que me deram uma ótima impressão. Primeiramente, o título é excelente. Em segundo lugar, tua escrita é muito boa, com formulações precisas e sensíveis. (...) Mas, o que eu mais gostei foi a crítica mordaz e pertinente ao processo de destruição da cidade. Porto Alegre nunca foi uma cidade ideal mas os predadores imobiliários estão conseguindo torná-la inóspita, embrutecida pelas construções tipo pombal. A comparação é deliberada: pombas urbanas são ratazanas com asas e os moradores desses grandes conjuntos se parecem com elas. (...) Teu livro relata com precisão o comportamento prepotente e criminoso das incorporadoras e a luta inglória de alguns poucos resistentes. (...)

10) Jussara Lucena – escritora - 05/10/17 - (...) A história é ótima, os acontecimentos verossímeis e as personagens muito bem delineadas e coerentes. (...)

11) Marcelo Spalding – escritor e professor de escrita criativa - 21/10/17 – (...) Gostei muito da temática que você traz e a forma como a trata. O relacionamento entre o protagonista e sua funcionária/meia-irmã também é muito rico. Também me surpreendeu o final, um final realista mas otimista, não trágico ou definitivo.

12) Maria da Graça Rodrigues - escritora - 29/06/18 - O romance do Miguel é ótimo, li e recomendo.

13) Ketlen Stueber - Mestre em Comunicação e Informação -  No link, a tese de mestrado "Porto Alegre literária no início do Sec. XXI - Representações sobre a cidade", que analisa o imaginário da cidade a partir dos livros Meia noite e vinte, de Daniel Galera, Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, e Imóveis Paredes, de Miguel da Costa Franco.

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