Críticas


Sobre a coletânea de contos Não Romance:


1) Laura Castilhos - artista plástica e ilustradora - facebook – 06/10/18 -  "Não Romance é um baita livro do Miguel da Costa Franco. Recomendo!

2)  Sérgio Lulkin – ator e professor universitário - facebook – 07/10/18 – Alguns contos afagam diversos sentimentos. Outros acordam, sem mais, safanão nas ideias. Recomendo.

3) Anton Roos – escritor - whatsapp – 30/10/18 – Livraço.

4) Caroline Rodrigues –  escritora,  professora e tradutora - facebook – 11/07/2019 – É mesmo um ótimo livro.

5) Jussara Nodari Lucena –  escritora - Whatsapp – 14/05/2019 – Os livros são excelentes. Recomendo. Tanto um como o outro.

6) Rafael Guimaraens - jornalista e escritor – facebook – 11/07/2019 – O livro é ótimo.

7) Luis Augusto Farinatti -  escritor e professor universitário - Messenger - 13/11/19 -  (...) Gostei muito do livro. Há um pouco de narcisismo aí, porque encontrei comunhão de alguns interesses e temas (como a vida interiorana) com minha própria escrita. Há um eco do Faraco, como também reconheço na minha escrita, na medida certa, com influência mesmo (no tom, nos temas). Ou me engano? Disseste que é uma coleção heterogênea. De fato, há variedade de temas e, em alguns casos, de estilo. Mas não vejo isso como problema. Para mim, os contos mais memoráveis foram "Abobados da enchente" (não cresci em Porto Alegre, mas numa cidade de 10 mil habitantes cortada por um rio, conheço a expressão, conheço a situação, muito bem tratada neste conto); João e Luzia no Café Tom Tom ("Novembro..."); "A morrinha do quartel" (gostei muito da "voz" do menino e do foco narrativo construído nele, podia ficar trivial, era um risco, mas não, na verdade ficou excelente); "O aprendiz de louco-louco" (gostei dos tempos dentro do tempo neste conto). Todos esses formam um conjunto bem homogêneo. Mas gostei muito também de um que, esse sim, parece bem diferente de todos "Cinco a menos" (terminei a leitura olhando longe, isso é bom).

8) Maria Avelina Fuhro Gastal - escritora - site da Amazon - 10.02.2020 - Pureza, sensibilidade e consistência. Não Romance nos traz  personagens que vão além das aparências , dedilhando as dores e incongruências humanas e sociais com precisão e respeito. A linguagem é direta, transparente, sem deixar de provocar um mergulho naquilo que está contido além delas. Vale muito a leitura.



Sobre o romance Imóveis Paredes:

1) Ana Luiza Azevedo - cineasta - facebook – 30/03/15 - É um belo romance.

2) Clô Barcellos – editora – 02/04/15 - Um misto de romance, denúncia, desabafo. E um amor residual inerente que não nos abandona apesar de tudo. Belo.

3) Rafael Guimaraens - jornalista e escritor - facebook – 02/04/15 - Sabe um livro bom, mas bom, bom mesmo? É o livro do Miguel. O único problema é que a gente termina de ler e continua aquela vontade de continuar lendo. - facebook - 13/08/17 - (...) O livro é ótimo, contemporâneo, com um grande personagem e muito bem escrito.

4) Jaime Cimenti - articulista do Jornal do Comércio – 17/04/15 - Estréia madura, texto seguro, fluente.

5) Fernando Ramos (Festipoa Literária) – Festa da Leitura – 18/04/15 - O livro é muito bom, recomendo a todos a leitura. Qualidade surpreendente para um romance de estréia. (...) Imóveis Paredes é um livro bastante necessário no momento atual de crises agudas em nossa cidade, Porto Alegre, e no país.

6) Flávio Azevedo – professor de Literatura - facebook – 20/04/15 - Miguel é um grande construtor de personagens e de cenários. O Teté é um baita cara, a Dasdô também, até a Bebel, que aparece pouco, ficou densa. Os conflitos são bons e verdadeiros, e a solução para o roteiro surpreende positivamente. Ótima leitura.

7) Sérgio Lulkin – ator e professor universitário - 18/07/15 - (...) Li em três lufadas e um suspiro. (...). Escuto duas vozes: a reflexão e a indignação. Vibro com a clareza e com a precisão dos impropérios no momento auge de desgosto, de raiva, de impotência do Eleutério - também não quero revelar em demasia - e compartilhamos entre várias pessoas aquele sentimento. E a voz densa, reflexiva do homem maduro e desorganizado em seus sentimentos pessoais - afetos, amores, familiares - me parece quase um outro livro. A filha, que também demanda mais informação ao final, posto que vem como um eixo ao longo das questões do Teté - parece que se resolve de súbito através do afeto recuperado com Graça - algo como um "amor de pai" que se acalma com o amor de "parceiro" - num gesto de parceria que serve às duas figuras. Será que viajei na psicanálise? Muito boa leitura, ágil. Especialmente para dias chuvosos, não é solar, tem tristezas e dores finas. E uma esperança nublada, amores a beira-mar, por diversas ruas e lugares imediatamente reconhecíveis, seja aqui, seja acolá, por Santa Catarina. (...)

8) Carlos Garcia - editor do site Culturíssima (http://culturissima.com.br/colunistas/um-livro-sobre-especulacao-imobiliaria/ ) – 23/01/2016 - artigo "Um livro sobre especulação imobiliária"
   É um livro sobre especulação imobiliária. Isso foi tudo que o vendedor me explicou sobre o romance Imóveis Paredes (Libretos, 2015), de Miguel da Costa Franco. E não poderia haver descrição melhor. A narrativa é, acima de tudo, sobre a especulação imobiliária em Porto Alegre. O autor propõe uma reflexão acerca do poder que as grandes construtoras exercem sobre as pessoas, a paisagem e o cotidiano da cidade.
   O título é uma referência clara ao tema, mas tem duplo significado. Além de um não à demolição, também trata-se do nome da imobiliária de Eleutério Paredes, o personagem principal da história. O corretor-protagonista passa a trama inteira sofrendo pressão de uma grande construtora para vender seu imóvel. A empresa quer executar o projeto de construção de um condomínio residencial, ocupando um quarteirão inteiro no coração do bairro Rio Branco. Eleutério, porém, é o proprietário mais resistente às negociações. A situação chega ao ponto de sua casa ser a única de pé na área de interesse da construtora. Mais do que isso, começa a sofrer fortes represálias em razão da sua resistência.
   O mais interessante é que, durante a história, o narrador compartilha com o leitor os sentimentos de Eleutério sobre a questão da venda do imóvel. É demonstrado o quanto qualquer pessoa razoável é frágil diante do sistema. Embora a narrativa arme uma armadilha que sugere o protagonista como herói, as próprias reflexões do personagem vão desmentir essa hipótese.
   Eleutério é apaixonado e apegado pelo casarão que herdou de seu pai. Por ele, jamais deixaria de morar ali. Mas nem as pessoas mais próximas o ajudam a resistir a pressão. Ao contrário. Sua funcionária da imobiliária, ele descobre que é, na verdade, sua irmã. O pai havia dado uma pulada de cerca, mas ninguém jamais tocou no assunto. Até que ela joga a questão na mesa e aproveita para pedir parte dos bens de Eleutério, no caso, um dos apartamentos que a construtora daria em troca do casarão. Sua filha, por sua vez, não está nem aí para o que Eleutério faz, mas da mostras de que considera uma idiotice não vender o imóvel.
   Por causa da opinião e pressão dessas duas mulheres, Eleutério passa a pensar com mais força na venda da casa. Sem contar que a proposta da construtora é, realmente, irrecusável do ponto de vista financeiro. Ele sabe disso. É do ramo e conhece bem os valores do mercado imobiliário. Em sua tentativa de decidir o que fazer, ele pensa mais na família do que nele mesmo e por isso é fisgado. É quase impossível, seja cedo ou tarde, não aderir ao que o modelo político-econômico vigente propõe. Eleutério vai longe em sua resistência, mas, independente de aceitar ou não a proposta, seu dilema interior do vende, não vende confessa que sua convicção foi posta à prova.
   Quanto ao estilo, o autor apresenta um texto simples e rápido. Mesmo algum floreio que possa aparecer, não na linguagem mas na história, não chega a constituir um obstáculo no texto.
   Imóveis Paredes é um livro que o valor ideológico ultrapassa o valor literário. A reflexão que o autor propõe é importantíssima para Porto Alegre. É um alerta. Há anos a cidade vê suas edificações históricas sendo demolidas para dar espaço a condomínios gigantescos. Além de apagar a memória, os novos empreendimentos impulsionam cada vez mais o isolamento das pessoas em relação a cidade. Até onde queremos chegar em termos urbanos?
   Essa é uma questão que, certo, já é pensada pelos interessados, como a administração pública, as construtoras, os profissionais de arquitetura, urbanismo e engenharia, etc. É importante, todavia, que a participação se torne mais ampla. E talvez o livro de Miguel da Costa Franco seja o ponto de partida para que o público envolvido direta e indiretamente, isto é, o cidadão em geral, se interesse ainda mais pelo assunto. Assim pode ser que esse tema tão importante ganhe mais notoriedade, enriquecendo o debate e melhorando a cidade.

9) Antônio David Cattani – escritor - 05/04/16 - (...) Embora nunca tenha feito crítica literária gostaria de registrar alguns pontos que me deram uma ótima impressão. Primeiramente, o título é excelente. Em segundo lugar, tua escrita é muito boa, com formulações precisas e sensíveis. (...) Mas, o que eu mais gostei foi a crítica mordaz e pertinente ao processo de destruição da cidade. Porto Alegre nunca foi uma cidade ideal mas os predadores imobiliários estão conseguindo torná-la inóspita, embrutecida pelas construções tipo pombal. A comparação é deliberada: pombas urbanas são ratazanas com asas e os moradores desses grandes conjuntos se parecem com elas. (...) Teu livro relata com precisão o comportamento prepotente e criminoso das incorporadoras e a luta inglória de alguns poucos resistentes. (...)

10) Jussara Lucena – escritora - 05/10/17 - (...) A história é ótima, os acontecimentos verossímeis e as personagens muito bem delineadas e coerentes. (...)

11) Marcelo Spalding – escritor e professor de escrita criativa - 21/10/17 – (...) Gostei muito da temática que você traz e a forma como a trata. O relacionamento entre o protagonista e sua funcionária/meia-irmã também é muito rico. Também me surpreendeu o final, um final realista mas otimista, não trágico ou definitivo.

12) Maria da Graça Rodrigues - escritora - 29/06/18 - O romance do Miguel é ótimo, li e recomendo.

13) Ketlen Stueber - Mestre em Comunicação e Informação -  No link, a tese de mestrado "Porto Alegre literária no início do Sec. XXI - Representações sobre a cidade", que analisa o imaginário da cidade a partir dos livros Meia noite e vinte, de Daniel Galera, Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, e Imóveis Paredes, de Miguel da Costa Franco.

14) Tércio Ricardo Kneip - escritor (autor de "A suicida da sexta-feira", "Depois dos temporais" e "Super Medeiros") - 27/10/2019 - Planura faz muita falta De tão artificiais circunstâncias vivemos destituídos de planura na paisagem. Sem ela o efeito promove em nossa capacidade de atenção, certo exílio enigmático, produzindo o olhar distante sobre a existência construída para cálculo de precisão. Na trama especulativa o personagem busca saciar a alma com as belas considerações do desejo. Espécie de sinal de aviso e socorro mudo. É a alma entre paredes imóveis que, partindo da essência figurada dos objetos, sugere mais certeza do que imprecisão. Exatidão asfixiante no qual estamos todos inseridos. No autor temos o cronista. Cronista que será sempre arte em todos os gêneros literários que desejar. Verdadeiro banquete aos leitores esfomeados de estilo. “Imóveis Paredes” trazem em si trocadilho altamente bem elaborado numa dose de humor tranquilo. Receita de estilo: escrita confortável. Fluência incrível, afável, refrescante. Mesmo no aperto da trama, temos o lenitivo da voz narrativa como artifício poético. Os mais afoitos haverão de tratar como “alienação prática” porque a vida bem vivida entre percalços é traduzida como hedonismo suave em todos os momentos da obra. No tema-pretexto temos sim uma “crítica severa” ao mundo sem planura. Natureza devastada pelo acúmulo de tijolos, pedaços de coisas carregadas vertiginosamente. Ó mundo humilhantemente demarcado pela especulação até que o especulador acaba esbarrando em seus próprios passos. Na menor contingência e zás! Queda. Queda sobre o risco para incerteza do lucro. Mundo quadriculado recortado e especulado por todos os lados emparedando existências. Eis a ficção desvendando o real porque o personagem se recupera como ocorre com grandes especuladores. Embrenha-se em fuga geográfica em praias paradisíacas. Confesso que até a metade do romance quis afiar minhas unhas para reclamar da ausência de pássaros sobre a beleza descritiva dos aspectos geográficos e botânicos. Para instigação da estrutura. Estrutura perfeitamente alinhada ante a querida e exuberante Porto Alegre. Procurei “sabiá” que exibe seu canto no alto dos edifícios. Tinha que ter sabiá. Magnífico e redentor. Leitor bobo disposto a reclamações rápidas e imprecisas. Encontrei para meu alívio estas criaturinhas mágicas e até os “pássaros marinhos” que não poderiam faltar na obra romanceada de cronista nato. Nada faltou. Nada faltou para que pudesse firmemente demonstrar a verdade e a sinceridade andando juntas na amizade desinteressada deste crítico não autorizado. O fato é que fiquei duplamente feliz. Primeiro porque Miguel é escritor gaúcho da nova geração com todas as qualidades dos grandes escritores gaúchos nacionais. Segundo porque Porto Alegre estava exigindo silenciosamente uma voz brasileira universal em meio ao sertão frio urbano do sul. Pois é daqui deste sertão frio que lhe envio minha grata satisfação com abraço por obra tão excelente. Devo contar que desde aquela noite em que li algumas crônicas na pastinha, naqueles bons tempos do Pasquim Sul, voltei para casa repetindo mentalmente: o Miguel da Costa Franco é escritor e dos bons. O tempo não me enganou. 

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