Críticas


Sobre o romance "A filha do Dilúvio":
 
1) Rafael Guimaraens - jornalista e escritor – 11/03/2021 – É uma história dura, inquietante e profundamente humana, pro bem e pro mal. E muito bem escrita. Envereda por caminhos surpreendentes e desconcertantes e consegue segurar a audiência até o final, que, aliás, bem, não posso avançar. Mas, leitor, não pense que vai sair dessa incólume. O livro vai te incomodar um bocado.

2) Jesus Cezar – bancário aposentado – 11/04/21 – Buenas, Miguel! A complexidade e a crueza da vida... Que leitura, meu amigo! Agora estou no pós-leitura, pura reflexão. Valeu! Iniciei ontem e não consegui parar... Muito bom!

3) Nelson Brasil Ferreira – funcionário público - 12/04/21 - E Rosas e Caçapavas proliferam pelas ruas de POA numa boa. Já cresciam feito grama desde o início da década passada.  Com Temer então parecem ter seguido a ordem divina: crescei e multiplicai-vos. Bem assim. Nas ruas de poa, mendigos abundam, rastejam, recolhem o pão de cada dia e noite nas lixeiras- containers das bordas de nossas imundas ruas. Orgânicos dejetos retiram e são retirados desses recipientes.  Quando passo, assustado, receoso, por vezes não sei distinguir quem é quem.  O que é o que. Ano passado, ao dormir meses na minha mãe, na Independência, em razão dos cuidados com a pandemia, cruzava com muitos Caçapavas, Rosas, Doralices e Furiosas Caolhas pelas ruas do Bonfim, Independência e Praça do Rosário, ao caminhar minha cota do dia/noite. Não lembro de essa calamidade ser debatida pela sociedade, nem mesmo em pré-eleição. Afora a comida que os mendigos recebem por caridade de alguns grupos, quase rigorosamente os ignoramos como sociedade. O que vale tanto conhecimento, estudo, especialização e tecnologia, se deixamos seres humanos viver feito dejetos. Lembramos deles pelo cheiro e asco que sentimos ao encontrá-los e evitá-los, atravessando a rua quando dá tempo. Ou ao ler um romance sensível e humano como o do Miguel. Mas logo os esquecemos e nosso pensamento voa para alguma praia de Punta del Este ou qualquer uma de nossas urgências e idiossincrasias. Somos uma sociedade fracassada de fato, desigual, desumana, irracional, injusta.

4) Ivan Fernandes – fisioterapeuta - 13/04/2021 –  Tchê, devorei o livro... Na capa, há uma linda síntese, pariste das entranhas, tá visceral mesmo. Não é qualquer escritor que faz isso com as palavras. Muito forte, desde o primeiro capítulo neandertalesco, o papo dos dois na beira da praia , enfim uma viagem totalmente incerta mas com o leme muito bem pensado e a âncora lançada na hora perfeita. Muito bom ter viajado nos diversos personagens e ter viajado pelos teus mares tempestuosos nesse dilúvio onde estamos à deriva. Um deleite! Parabéns! O teu Imóveis Paredes foi lançado à milionésima potência.

5) Rogério Dias Gonçalves – 14/04/21 – arteterapeuta - Terminei de ler o livro agora. Sensacional, Miguel! Adorei! Muito bem escrito, dinâmico, profundo. Emocionante em diversos trechos, jamais caindo na pieguice do melodrama. Já me coloco na fila pra ler o próximo. Parabéns!

6) Ana Valéria Bratkowski – 15/04/21 – funcionária pública – Bah, Miguel, fiquei às lagrimas com o inesperado e inevitável final, quer pelo fim da ficção ou pelo retrato da realidade. Parabéns!

7) Janine Haase – 16/04/21 – oceanóloga – Li “A filha do Dilúvio” em duas sentadas, deixando um gostinho de quero mais. Mergulhei na história, me senti partícipe, muito bom e triste. (...) Teus dilemas pessoais também são meus e permanecem comigo (...).

8) Maria Etelvina Guimaraens - 17/04/21 - procuradora do município - Acabei de ler! Impressionante. Muito bom mesmo. Vou ficar dias ruminando. De certeza! A Rosa me lembrou muito a filha de uma faxineira nossa. Acompanhei por mais de 10 anos as expectativas da mãe com o futuro da filha e o desespero diante da situação da guria nas ruas, que andava com seu carrinho de super, bebendo álcool e intumescida de crack. A impotência. Bah! Parabéns.(...) Muito real. O início me lembrou muito nossa turma do Menino Deus, que juntava os "riquinhos" das casas e apartamentos e os amigos “maloqueiros” das redondezas, antes da expulsão branca a que foram submetidos. Sempre tive a sensação de que iria um dia encontrar, eles ou seus nomes, nos processos da Prefeitura. Nunca aconteceu. Como disse, vou seguir ruminando. Teu livro não termina na última linha. Fica na cabeça.

 9) Lucas de Melo Bonez – 17/04/21 – professor e escritor – Bom dia, Miguel! Apenas passando para te agradecer por este livro tão extasiante. Não o terminei, (...) mas as falas dos contrastes sociais são muito ricas e impactantes. Parabéns! Excelente texto!

10) Ana Luiza Oliveira - 18/04/21 - arquiteta - Parabéns, teu livro me pegou do início ao fim, conseguiste juntar várias pontas de humanidade numa história só.  Falas daquilo que nos perturba, nossas culpas, inquietações, nossas contradições.  E ainda das nossas complicadas questões com relacionamentos.

11)  Regina Albuquerque  18/04/21 - arquiteta:  Sentei pra ler teu livro e não consegui desgrudar dele. Tocante, cheia de poesia a tua prosa... Gostei muito ! Dá um filme esta história, adorei o desfecho... Enfim, agora é digerir e vencer o banzo que vem depois de uma boa leitura!  Sou das pessoas que sublinha, conversa com um livro. O teu tá todo riscado.

12) Maria Mercedes Rabelo – 20/04/21 – socióloga - Terminei agora o teu livro . Excelente! As emoções, a escrita, a estória. Parabéns! Acho que alcançaste um patamar VIP. Os personagens ficam grudados na gente! Muito boa a construção de personagens! A Rosa e o companheiro têm uma humanidade que é difícil a gente conhecer. São personagens complexos, não esquemáticos. Isso é difícil e precioso.

13) Juraci Masiero – 21/04/21 – bancário aposentado - Acabo ler em 2 fôlegos, “A filha do Dilúvio”, belíssimo romance, meus parabéns! Que beleza os personagens, a precisa ambientação, a justa combinação da língua portuguesa com um rico regionalismo. Destaque também para o bom ritmo da trama e o esmero e paciência com que teceste os diálogos e narrativas. Senti um pouco de Rubem Fonseca no “teu João”.  Grande abraço.

14) Paulo Mendes Filho - 27/04/21 - fotógrafo - Fazia tempo que um livro não me acordava para prosseguir sua leitura.... comecei e não parei até terminar. Uma ótima condução, um certo suspense que te prende na história, descrição precisa dos fatos te levando enxergar as cenas e o cenário e uma ótima reflexão da sociedade atual - cruel, individualista, perversa e desumana. Nos faz perceber o quanto estamos descolados e despreparados para perceber a dura realidade de milhares de Dorinhas, Rosas, Caçapavas e Jerônimos, que estão dividindo a mesma cidade, mesmo país e nesse planeta. Vivemos em um dilúvio social em uma pequena arca, como se a travessia de poucos, fosse já o normal. Não é por acaso que a serpente do fascismo está presente; e bem à vontade querendo se instalar permanente no poder. Esse sistema, se foi um dia proveitoso para poucos, hoje já não é mais sustentável para humanidade.
Parabéns, no ponto!

15) Júlio Ramos Collares – 28/04/21 – arquiteto – Muito bom! Narrativa potente que mantém sua força do começo ao fim. Gostei da ambientação portoalegrense.  Livro delicado/porrada! Parabéns! 

16) Alexandre Schosser - 29/04/21 - psicólogo - Miguel conseguiu construir uma pequena joia nesse seu segundo romance. Um percurso pelos nossos subterrâneos. Das cidades e das nossas pequenas vidinhas encasteladas. Algo de podre corre por nossos esgotos, algumas vezes quando abrimos cheiram mal. Em outras, criam narrativas que ficam com a gente por sua beleza e capacidade de emocionar. A Filha do Dilúvio é um livro para os nossos tempos. E para além.

17) Liane Golbspan - 29/04/21 - médica - Retrato duro de uma realidade que está na nossa frente mas optamos por não enxergar. Te desejo muito sucesso.

18) Maria Avelina Gastal - 30/04/21 – escritora - Com uma narrativa envolvente, Miguel nos mostra que a distância entre o povo das casas e o povo das ruas é medida pela nossa cegueira. Muito bom. Parabéns, Miguel.

19) Liz Quintana – 06/05/21 – escritora, ilustradora e designer - Miguel, eu li, eu senti, eu vivi o livro A filha do dilúvio. Os personagens e seus conflitos, a história que se engendra e a cadência dos acontecimentos. Tudo carregado de emoção e de lembranças, da necessidade e do encontro. Li rápido pois a leitura é muito boa e fluída,  mas aproveitei cada linha. Parabéns por mais uma bela obra.

20) Daniel Juliano Soares - 07/05/21 - funcionário público -  O livro é muito bom, me prendeu nas duzentas páginas, acabei ontem à noite. É uma história muito atual, que nos é muito familiar, se passa em Porto Alegre. É impossível não se identificar na narrativa que relaciona um casal pobre e um de classe média. Um livro do nosso tempo, sobre a miséria humana e a empatia possível.

21) Juremir Machado da Silva - 08/05/21 - jornalista - Um livro que me chegou na última sexta-feira pelo correio e me pegou imediatamente é “A filha do Dilúvio” (Libretos), de Miguel da Costa Franco. É a história de quatro pessoas, Rosa e Caçapava, moradores de rua, e João e Sandra, figuras de classe média. Quando se cruzam, quando convivem, o que acontece? Como se relacionam? Não direi mais. Tenho certeza de que o leitor será fisgado por essa trama.

22) João Ribeiro Teixeira - 11/05/21 - engenheiro agrônomo - O livro prende nossa atenção desde o início, com a construção dos personagens e seus conflitos que acabam sendo muito familiares, afinal são nosso cotidiano em cada esquina, em cada sinaleira ou praça. São nossos projetos, conflitos e contradições diárias, mal resolvidas por uma inserção social mais favorável, que nos garante uma rede de proteção social e até direito a alguma “herança”, enquanto assistimos, as vezes espantados, a sobrevivência e a resiliência do povo que vive nas ruas, com seus códigos próprios à mercê da violência e do descaso da sociedade. O livro nos remexe por dentro e nisso o autor atinge nosso âmago e expõe nossas estratégias de sobrevivência, muitas vezes pautadas pela indiferença numa sociedade cada vez mais excludente.

23) Rita Ramalho de Farias - 20/05/21 – bancária aposentada - Terminei "A filha do Dilúvio". A leitura foi fluída e leva o leitor a seguir adiante para saber o desfecho. Amei o enredo, triste, mas, retrata uma realidade que na maioria das vezes, deixamos de enxergar.

24) Caroline Rodrigues - 22/05/21 - escritora, tradutora e revisora - Resenha sobre "A filha do Dilúvio" publicada na revista Parêntese nº 76 


Sobre a coletânea de contos Não Romance:



1) Laura Castilhos - artista plástica e ilustradora - facebook – 06/10/18 -  "Não Romance é um baita livro do Miguel da Costa Franco. Recomendo!

2)  Sérgio Lulkin – ator e professor universitário - facebook – 07/10/18 – Alguns contos afagam diversos sentimentos. Outros acordam, sem mais, safanão nas ideias. Recomendo.

3) Anton Roos – escritor - whatsapp – 30/10/18 – Livraço.

4) Caroline Rodrigues –  escritora,  professora e tradutora - facebook – 11/07/2019 – É mesmo um ótimo livro.

5) Jussara Nodari Lucena –  escritora - Whatsapp – 14/05/2019 – Os livros são excelentes. Recomendo. Tanto um como o outro.

6) Rafael Guimaraens - jornalista e escritor – facebook – 11/07/2019 – O livro é ótimo.

7) Luis Augusto Farinatti -  escritor e professor universitário - Messenger - 13/11/19 -  (...) Gostei muito do livro. Há um pouco de narcisismo aí, porque encontrei comunhão de alguns interesses e temas (como a vida interiorana) com minha própria escrita. Há um eco do Faraco, como também reconheço na minha escrita, na medida certa, com influência mesmo (no tom, nos temas). Ou me engano? Disseste que é uma coleção heterogênea. De fato, há variedade de temas e, em alguns casos, de estilo. Mas não vejo isso como problema. Para mim, os contos mais memoráveis foram "Abobados da enchente" (não cresci em Porto Alegre, mas numa cidade de 10 mil habitantes cortada por um rio, conheço a expressão, conheço a situação, muito bem tratada neste conto); João e Luzia no Café Tom Tom ("Novembro..."); "A morrinha do quartel" (gostei muito da "voz" do menino e do foco narrativo construído nele, podia ficar trivial, era um risco, mas não, na verdade ficou excelente); "O aprendiz de louco-louco" (gostei dos tempos dentro do tempo neste conto). Todos esses formam um conjunto bem homogêneo. Mas gostei muito também de um que, esse sim, parece bem diferente de todos "Cinco a menos" (terminei a leitura olhando longe, isso é bom).

8) Maria Avelina Fuhro Gastal - escritora - site da Amazon - 10.02.2020 - Pureza, sensibilidade e consistência. Não Romance nos traz  personagens que vão além das aparências , dedilhando as dores e incongruências humanas e sociais com precisão e respeito. A linguagem é direta, transparente, sem deixar de provocar um mergulho naquilo que está contido além delas. Vale muito a leitura.



Sobre o romance Imóveis Paredes:

1) Ana Luiza Azevedo - cineasta - facebook – 30/03/15 - É um belo romance.

2) Clô Barcellos – editora – 02/04/15 - Um misto de romance, denúncia, desabafo. E um amor residual inerente que não nos abandona apesar de tudo. Belo.

3) Rafael Guimaraens - jornalista e escritor - facebook – 02/04/15 - Sabe um livro bom, mas bom, bom mesmo? É o livro do Miguel. O único problema é que a gente termina de ler e continua aquela vontade de continuar lendo. - facebook - 13/08/17 - (...) O livro é ótimo, contemporâneo, com um grande personagem e muito bem escrito.

4) Jaime Cimenti - articulista do Jornal do Comércio – 17/04/15 - Estréia madura, texto seguro, fluente.

5) Fernando Ramos (Festipoa Literária) – Festa da Leitura – 18/04/15 - O livro é muito bom, recomendo a todos a leitura. Qualidade surpreendente para um romance de estréia. (...) Imóveis Paredes é um livro bastante necessário no momento atual de crises agudas em nossa cidade, Porto Alegre, e no país.

6) Flávio Azevedo – professor de Literatura - facebook – 20/04/15 - Miguel é um grande construtor de personagens e de cenários. O Teté é um baita cara, a Dasdô também, até a Bebel, que aparece pouco, ficou densa. Os conflitos são bons e verdadeiros, e a solução para o roteiro surpreende positivamente. Ótima leitura.

7) Sérgio Lulkin – ator e professor universitário - 18/07/15 - (...) Li em três lufadas e um suspiro. (...). Escuto duas vozes: a reflexão e a indignação. Vibro com a clareza e com a precisão dos impropérios no momento auge de desgosto, de raiva, de impotência do Eleutério - também não quero revelar em demasia - e compartilhamos entre várias pessoas aquele sentimento. E a voz densa, reflexiva do homem maduro e desorganizado em seus sentimentos pessoais - afetos, amores, familiares - me parece quase um outro livro. A filha, que também demanda mais informação ao final, posto que vem como um eixo ao longo das questões do Teté - parece que se resolve de súbito através do afeto recuperado com Graça - algo como um "amor de pai" que se acalma com o amor de "parceiro" - num gesto de parceria que serve às duas figuras. Será que viajei na psicanálise? Muito boa leitura, ágil. Especialmente para dias chuvosos, não é solar, tem tristezas e dores finas. E uma esperança nublada, amores a beira-mar, por diversas ruas e lugares imediatamente reconhecíveis, seja aqui, seja acolá, por Santa Catarina. (...)

8) Carlos Garcia - editor do site Culturíssima (http://culturissima.com.br/colunistas/um-livro-sobre-especulacao-imobiliaria/ ) – 23/01/2016 - artigo "Um livro sobre especulação imobiliária"
   É um livro sobre especulação imobiliária. Isso foi tudo que o vendedor me explicou sobre o romance Imóveis Paredes (Libretos, 2015), de Miguel da Costa Franco. E não poderia haver descrição melhor. A narrativa é, acima de tudo, sobre a especulação imobiliária em Porto Alegre. O autor propõe uma reflexão acerca do poder que as grandes construtoras exercem sobre as pessoas, a paisagem e o cotidiano da cidade.
   O título é uma referência clara ao tema, mas tem duplo significado. Além de um não à demolição, também trata-se do nome da imobiliária de Eleutério Paredes, o personagem principal da história. O corretor-protagonista passa a trama inteira sofrendo pressão de uma grande construtora para vender seu imóvel. A empresa quer executar o projeto de construção de um condomínio residencial, ocupando um quarteirão inteiro no coração do bairro Rio Branco. Eleutério, porém, é o proprietário mais resistente às negociações. A situação chega ao ponto de sua casa ser a única de pé na área de interesse da construtora. Mais do que isso, começa a sofrer fortes represálias em razão da sua resistência.
   O mais interessante é que, durante a história, o narrador compartilha com o leitor os sentimentos de Eleutério sobre a questão da venda do imóvel. É demonstrado o quanto qualquer pessoa razoável é frágil diante do sistema. Embora a narrativa arme uma armadilha que sugere o protagonista como herói, as próprias reflexões do personagem vão desmentir essa hipótese.
   Eleutério é apaixonado e apegado pelo casarão que herdou de seu pai. Por ele, jamais deixaria de morar ali. Mas nem as pessoas mais próximas o ajudam a resistir a pressão. Ao contrário. Sua funcionária da imobiliária, ele descobre que é, na verdade, sua irmã. O pai havia dado uma pulada de cerca, mas ninguém jamais tocou no assunto. Até que ela joga a questão na mesa e aproveita para pedir parte dos bens de Eleutério, no caso, um dos apartamentos que a construtora daria em troca do casarão. Sua filha, por sua vez, não está nem aí para o que Eleutério faz, mas da mostras de que considera uma idiotice não vender o imóvel.
   Por causa da opinião e pressão dessas duas mulheres, Eleutério passa a pensar com mais força na venda da casa. Sem contar que a proposta da construtora é, realmente, irrecusável do ponto de vista financeiro. Ele sabe disso. É do ramo e conhece bem os valores do mercado imobiliário. Em sua tentativa de decidir o que fazer, ele pensa mais na família do que nele mesmo e por isso é fisgado. É quase impossível, seja cedo ou tarde, não aderir ao que o modelo político-econômico vigente propõe. Eleutério vai longe em sua resistência, mas, independente de aceitar ou não a proposta, seu dilema interior do vende, não vende confessa que sua convicção foi posta à prova.
   Quanto ao estilo, o autor apresenta um texto simples e rápido. Mesmo algum floreio que possa aparecer, não na linguagem mas na história, não chega a constituir um obstáculo no texto.
   Imóveis Paredes é um livro que o valor ideológico ultrapassa o valor literário. A reflexão que o autor propõe é importantíssima para Porto Alegre. É um alerta. Há anos a cidade vê suas edificações históricas sendo demolidas para dar espaço a condomínios gigantescos. Além de apagar a memória, os novos empreendimentos impulsionam cada vez mais o isolamento das pessoas em relação a cidade. Até onde queremos chegar em termos urbanos?
   Essa é uma questão que, certo, já é pensada pelos interessados, como a administração pública, as construtoras, os profissionais de arquitetura, urbanismo e engenharia, etc. É importante, todavia, que a participação se torne mais ampla. E talvez o livro de Miguel da Costa Franco seja o ponto de partida para que o público envolvido direta e indiretamente, isto é, o cidadão em geral, se interesse ainda mais pelo assunto. Assim pode ser que esse tema tão importante ganhe mais notoriedade, enriquecendo o debate e melhorando a cidade.

9) Antônio David Cattani – escritor - 05/04/16 - (...) Embora nunca tenha feito crítica literária gostaria de registrar alguns pontos que me deram uma ótima impressão. Primeiramente, o título é excelente. Em segundo lugar, tua escrita é muito boa, com formulações precisas e sensíveis. (...) Mas, o que eu mais gostei foi a crítica mordaz e pertinente ao processo de destruição da cidade. Porto Alegre nunca foi uma cidade ideal mas os predadores imobiliários estão conseguindo torná-la inóspita, embrutecida pelas construções tipo pombal. A comparação é deliberada: pombas urbanas são ratazanas com asas e os moradores desses grandes conjuntos se parecem com elas. (...) Teu livro relata com precisão o comportamento prepotente e criminoso das incorporadoras e a luta inglória de alguns poucos resistentes. (...)

10) Jussara Lucena – escritora - 05/10/17 - (...) A história é ótima, os acontecimentos verossímeis e as personagens muito bem delineadas e coerentes. (...)

11) Marcelo Spalding – escritor e professor de escrita criativa - 21/10/17 – (...) Gostei muito da temática que você traz e a forma como a trata. O relacionamento entre o protagonista e sua funcionária/meia-irmã também é muito rico. Também me surpreendeu o final, um final realista mas otimista, não trágico ou definitivo.

12) Maria da Graça Rodrigues - escritora - 29/06/18 - O romance do Miguel é ótimo, li e recomendo.

13) Ketlen Stueber - Mestre em Comunicação e Informação -  No link, a tese de mestrado "Porto Alegre literária no início do Sec. XXI - Representações sobre a cidade", que analisa o imaginário da cidade a partir dos livros Meia noite e vinte, de Daniel Galera, Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, e Imóveis Paredes, de Miguel da Costa Franco.

14) Tércio Ricardo Kneip - escritor (autor de "A suicida da sexta-feira", "Depois dos temporais" e "Super Medeiros") - 27/10/2019 - Planura faz muita falta De tão artificiais circunstâncias vivemos destituídos de planura na paisagem. Sem ela o efeito promove em nossa capacidade de atenção, certo exílio enigmático, produzindo o olhar distante sobre a existência construída para cálculo de precisão. Na trama especulativa o personagem busca saciar a alma com as belas considerações do desejo. Espécie de sinal de aviso e socorro mudo. É a alma entre paredes imóveis que, partindo da essência figurada dos objetos, sugere mais certeza do que imprecisão. Exatidão asfixiante no qual estamos todos inseridos. No autor temos o cronista. Cronista que será sempre arte em todos os gêneros literários que desejar. Verdadeiro banquete aos leitores esfomeados de estilo. “Imóveis Paredes” trazem em si trocadilho altamente bem elaborado numa dose de humor tranquilo. Receita de estilo: escrita confortável. Fluência incrível, afável, refrescante. Mesmo no aperto da trama, temos o lenitivo da voz narrativa como artifício poético. Os mais afoitos haverão de tratar como “alienação prática” porque a vida bem vivida entre percalços é traduzida como hedonismo suave em todos os momentos da obra. No tema-pretexto temos sim uma “crítica severa” ao mundo sem planura. Natureza devastada pelo acúmulo de tijolos, pedaços de coisas carregadas vertiginosamente. Ó mundo humilhantemente demarcado pela especulação até que o especulador acaba esbarrando em seus próprios passos. Na menor contingência e zás! Queda. Queda sobre o risco para incerteza do lucro. Mundo quadriculado recortado e especulado por todos os lados emparedando existências. Eis a ficção desvendando o real porque o personagem se recupera como ocorre com grandes especuladores. Embrenha-se em fuga geográfica em praias paradisíacas. Confesso que até a metade do romance quis afiar minhas unhas para reclamar da ausência de pássaros sobre a beleza descritiva dos aspectos geográficos e botânicos. Para instigação da estrutura. Estrutura perfeitamente alinhada ante a querida e exuberante Porto Alegre. Procurei “sabiá” que exibe seu canto no alto dos edifícios. Tinha que ter sabiá. Magnífico e redentor. Leitor bobo disposto a reclamações rápidas e imprecisas. Encontrei para meu alívio estas criaturinhas mágicas e até os “pássaros marinhos” que não poderiam faltar na obra romanceada de cronista nato. Nada faltou. Nada faltou para que pudesse firmemente demonstrar a verdade e a sinceridade andando juntas na amizade desinteressada deste crítico não autorizado. O fato é que fiquei duplamente feliz. Primeiro porque Miguel é escritor gaúcho da nova geração com todas as qualidades dos grandes escritores gaúchos nacionais. Segundo porque Porto Alegre estava exigindo silenciosamente uma voz brasileira universal em meio ao sertão frio urbano do sul. Pois é daqui deste sertão frio que lhe envio minha grata satisfação com abraço por obra tão excelente. Devo contar que desde aquela noite em que li algumas crônicas na pastinha, naqueles bons tempos do Pasquim Sul, voltei para casa repetindo mentalmente: o Miguel da Costa Franco é escritor e dos bons. O tempo não me enganou. 

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